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terça-feira, 15 de julho de 2014

CAPÍTULO 44 - Festa surpresa para o Fábio

"Ridícula tem sido esta relação"... Esta frase soou como uma facada no meu coração. Sem querer, sem ter tempo sequer para pensar, senti um arrepio, um aperto, e uma lágrima caiu-me pelo rosto.
O Fábio nunca me tinha dito nada assim. Senti que a nossa relação estava a desmoronar-se, sem sentido algum, sem um motivo coerente. É verdade que ultimamente não tínhamos muito tempo para estar juntos, mas ambos sabíamos que teria de ser assim. Ele não podia esperar outra coisa. Ele tinha as responsabilidades dele e eu as minhas. Talvez o problema aqui tenham sido os ciúmes, a insegurança desnecessária que ele sentia. Eu sabia que ele era inseguro e eu fazia de tudo para ultrapassar isso, mas desta vez magoou, magoou muito.

Algum tempo depois, o telemóvel tocou. Era o David.

- Oi, gata. É pra falar que tá tudo tratado, o Fábio amanhã vai passar a tarde comigo. Tem a costa livre pra você.
- Eu não sei se vou fazer alguma coisa. - respondi, após um suspiro.
- Como não?
- Eu e ele não estamos bem. Aliás, bem ou mal, eu já nem sei se estamos...
- Ei ei, me fala o que aconteceu!
- Ele queria estar comigo amanhã à tarde. Então eu tive de arranjar uma desculpa.
- O que é que você falou?
- Que tinha de acabar um trabalho com um colega. E ele disparou logo contra mim que raio de trabalho seria esse e pôs-se a insinuar que eu andava a enganá-lo.
- Nossa, o mano é ciumento mesmo poh. Mas vocês brigaram feio? - perguntou-me o David.
- Ele disse que tem sido posto em segundo plano e que a nossa relação era ridícula... Isso responde-te? - respondi num tom triste.
- Tá brincando... Olha, vamos fazer o seguinte, você vai pôr sorrisão na cara e vai fazer tudo o que a gente combinou. Eu vou ficar com ele e você vai preparar tudinho. O Rúben e a Tânia vão com você para ajudar. O resto do pessoal vai chegar às 19, aí a gente chega um pouquinho antes das 20. Vai ser difícil enrolar ele por tanto tempo, por isso trata de compensar e fazer um bom trabalho.
- David, eu perdi a vontade...
- Neguinha, é o aniversário do seu namorado. Vocês se amam, quando ele perceber se vai ajoelhar para você pedindo perdão.
- O problema é que as desculpas não mudam o que já foi dito, e eu estou sentida com ele.
- Nem tem volta a dar, cê vai fazer isso. Ou por ele ou por mim, agora se safa.
- Só tu... És mesmo teimoso! Mas está bem, está combinado então.
- Eu sabia! Agora trata de jogar essa energia negativa para trás das costas, que amanhã vocês se vão resolver.
- Obrigada David.
- Não tem de quê. Então vá, qualquer coisa cê me liga, viu?
- Sim. Um beijinho.
- Beijo grande.

O David tinha-me dado um grande incentivo. 
À meia-noite mandei uma mensagem de parabéns para o Fábio. Não tinha forças para ligar-lhe. Ele nem sequer me respondeu. Menos vontade tinha de fazer-lhe a surpresa, mas tinha prometido ao David.

Fui às aulas de manhã, depois fui para casa almoçar e fiquei à espera do Rúben e da Tânia, para irmos todos juntos levar as coisas necessárias para a casa do Fábio. Eles perceberam que eu não estava bem e então contei-lhes o que se tinha passado.
Ao final do dia começaram a chegar os convidados, nomeadamente os pais do Fábio, os meus e o Hugo. Tive de fingir que nada se passava, mas na verdade estava receosa por não saber qual iria ser a reação dele.

De: David
"Katty, tamos indo para casa. Tenta esconder todo o mundo, a gente não demora. Um beijo."

Disse a todos os convidados que o Fábio vinha a caminho. Apagámos as luzes e ficámos em silêncio.
Quando ele entrou, todos gritaram "Supresa!". Todos, menos eu. Estava num canto da sala, sem vontade de esboçar nem um sorriso. Ele sorria radiante, percorrendo o olhar por todos os convidados. Estava surpreendido, mas o seu olhar procurava algo. Sim, quando finalmente me viu, a sua expressão de felicidade mudou. Eu não devia estar ali, não queria estar ali. Os convidados foram-se aproximando dele para lhe dar os parabéns e no meio de conversas e cumprimentos, ele nem foi ter comigo. Sentei-me, ao lado da Tânia.
Quem se aproximou de mim foi o David.

- Tá muito legal! Parabéns.
- O que não "tá legal" é a minha presença aqui. - disse eu, imitando-o, mas com ironia.
- Não fala isso boba. Ele agora tá agradecendo à família e amigos mas cê acha que ele não vem ter com você? Quando ele perguntar quem arrumou tudo isso e disserem que foi você ele se vai sentir um tonto por ter pensado mal de você.
- Pois, mas a atitude não devia depender de ter sido eu a fazer isto ou não, se ele gosta de mim tem de resolver as coisas porque quer e não por agradecimento.
- Nossa, você é chatinha hein? - disse o David, pegando nas minhas mãos, para eu me levantar. Deu-me um abraço e um beijo na testa. - Eu já vou chamar ele pra vir aqui.
- David, não. Se ele vier, eu quero que seja por vontade própria. Não faças isso.
- Tá bom, é como você quiser. Agora olha para mim. - eu olhei. - Me dá um sorriso. - instintivamente esbocei um sorriso e, envergonhada, baixei a cabeça. - Gosto mais de você assim. 
Deu-me outro beijo na testa e foi ter com o Rúben. Eu fiquei exatamente no mesmo sítio, com a Tânia.

- Ele vem aí. - disse a Tânia.

Eu olhei e era o Fábio. Cumprimentou a Tânia, que lhe deu um abraço, os parabéns e de seguida foi ter com o seu Rúben.

- Podemos falar? - perguntou-me o Fábio.
- Estamos a falar.
- Kattyane, não sejas estúpida.
- Eu não acredito. Se era para isso, não, não podemos falar.
- Pára! Não dá para falarmos como pessoas adultas?
- Não, se começares a conversa a chamar-me estúpida.
- Fogo... - e desviou o olhar, demonstrando irritação. - Quero falar contigo, pode ser ou não?
- Sim, diz.
- O David já me disse que estiveste aqui hoje a preparar isto tudo.
- Pois, parece que sim. - respondi friamente.
- Não ias fazer o trabalho...? - disse ele, provocativo.
- Bolas Fábio, tu sim és um estúpido! Será que não vês que isto tudo foi para te fazer uma surpresa? Será que não vês que eu não quis passar a tarde contigo para conseguir fazer-te isto? Se eu tivesse de fazer o trabalho, tinha! Tu não tinhas que fazer aquela fita toda por isso, porque a minha vida não pode girar só à tua volta. Mas não, aqui a otária só arranjou aquela desculpa para poder fazer-te uma surpresa. E o que é que recebo em troca? "Esta relação é que tem sido ridícula"! Pois, se calhar aqui a ridícula sou eu... Esforço-me de mais e não valorizas isso!

Enquanto eu falava ele olhava fixamente. Quando acabei a frase ele agarrou-me e deu-me um forte beijo. Correspondi uns segundos, mas depois afastei-me.

- Não venhas com beijos! O que tu me disseste magoou-me.
- Porra, Kattyane... Desculpa! Desculpa-me... por favor. - e abraçou-me.

Envolveu os braços dele à minha volta e eu mal me mexi. Mas era impossível, eu não aguentava estar assim com ele e, segundos depois, correspondi ao abraço e apertei-o com força contra mim.

- Eu amo-te. - disse-me ele ao ouvido. - Só tenho medo de te perder.
- Quem tem medo de perder não magoa. Tu magoaste-me. Mandei-te os parabéns e tu nem tiveste coragem de me responder. - disse eu enquanto nos "desabraçavamos".
- Eu estava chateado!
- Mas com o quê? Achas que tinhas motivos? Achas? 
- Não... Tu tens razão. Só te peço que me desculpes, por favor amor. - pediu-me.
- Vá... Vamos esquecer. É o teu dia de anos. É verdade, deixei a tua prenda em cima da cama. Fiz isto para aproveitares.
- Então deixa-me aproveitar o tempo que resta mas contigo. - deu-me um leve beijo, deu-me a mão e fomos sentar-nos ao pé dos outros, para jantar.

- Eu não te falei que tudo se ia resolver? - disse o David, ao que lhe respondi com um sorriso.

Finalmente as coisas estavam esclarecidas. Ainda estava magoada com aquela frase que não me saía da cabeça, mas compreendi que o Fábio a tinha dito de cabeça quente. Eu sei que por vezes o ciúme ultrapassa a razão.

No final do jantar, cantámos os parabéns ao Fábio. Ele soprou as velas e no fim, agradeceu a presença de todos.

- Obrigado a todos por estarem aqui, por terem estado presentes neste dia. E obrigado especialmente à minha menina, por ter preparado isto tudo para mim.
- Ei, eu e a Tânia também estivemos aqui com ela! - interrompeu o Rúben, sempre brincalhão.
- Tinha de vir o ciumento. Mas sim, obrigada ao Rúben, à Tânia e a todos os que fizeram com que isto fosse possível, mas como eu estava a dizer, queria agradecer à Katyanne, porque me portei mal com ela e no fundo ela só estava a tentar fazer-me esta surpresa. Fui um idiota mas ela sabe que a amo mais que tudo. 

Todos bateram palmas e ele deu-me um beijo.

2 comentários:

  1. Olá!
    opá que amorosos *-* a parte do inicio dá só mesmo para chorar, caramba que o Fábio de cabeça quente diz com cada uma que meu deus.
    Agora é para se manterem bem (não sejas mázinha não?)
    Quero muito o próximo, besitos <3

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