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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

CAPÍTULO 47 - "Definitivamente, um dia mau..."

* FÁBIO *

Não podia acreditar que, mais uma vez, não estava bem com a Katte. Custa saber que damos tanto a uma pessoa e investimos tanto numa relação quando depois essa pessoa nem sequer confia em nós.
Provavelmente, eu reagiria da mesma forma... O pior é saber que não fiz absolutamente nada, nem sequer me encontrei com a Andreia! Não sei para onde me virar... Se contacto a revista, se tento falar com a Andreia, se tento provar à Katyanne que aquilo não é verdade...mas como?!
Liguei ao David e fui até a casa dele.

- Oi meu irmão! - cumprimentou-me o David.
- Então, 'tá tudo bem?
- Sempre legal, sabe! Vamo jogar uma partidinha?
- Vamos!

O David ligou a Playstation e fomos jogar FIFA, como fazíamos tantas vezes!

- Então, a Katty está bem? - perguntou o David.
- Nem por isso...
- Então, que aconteceu?
- Saíu uma notícia na revista... Dizia que supostamente a traí...
- 'Tá falando sério?! Nossa, mano, isso não é verdade pois não?
- Claro que não! Tu sabes que eu amo aquela miúda! - disse-lhe eu.
- E ela não acreditou em você?
- Nem me quis ouvir... É que, para não bastar, disseram que foi com a Andreia...
- Sua ex?
- Essa mesmo... A Katyanne já no dia dos meus anos viu uma mensagem que a Andreia de mandou e ficou fula. Agora a ver esta notícia é normal que não acredite em mim!
- Mas você chegou a estar com ela?
- Mano, eu não estive com ela, nem a vi!!! Isto é uma mentira! Eu tenho de processar essa revista!
- Calma mano! Não iriam inventar assim sem haver alguém contando. Alguém quis tramar você...
- Não estou a ver quem...
- Nossa, 'cê não é ingénuo não... 'Cê sabe que há muita gente com inveja e que faz tudo para ver os outros infelizes. Mas agora, pensando... 'Cê falou que a Andreia te mandou mensagem?
- Sim, nos meus anos.
- Será que ela 'tá afim de você? - perguntou o David.
- Porque perguntas isso?
- Ela pode gostar ainda de você e quer estragar a sua relação com a Katty.
- Acho que ela não seria capaz disso...
- É, mas pelo menos 'cê devia falar com ela para esclarecer.
- Não sei mano... Talvez... Mas ela deve estar ão surpreendida como eu.
- 'Cê não perde nada se falar! Mas você faz isso depois, agora joga direito, que jogar com um franguinho não tem jeito não!

Continuámos a jogar por mais algumas horas. Entretanto, recebo uma chamada. Era a Andreia.

- Tou? - atendi.
- Estou, Fábio? Tudo bem?
- Sim e contigo?
- Também, vai-se indo... Já sabes da notícia?
- Sei... Que porcaria é aquela?
- Pois, não sei Fábio. Achas que podias vir ter comigo, para falarmos sobre isso? - perguntou a Andreia.
- Podemos falar por telefone.
- Fábio, isto é um assunto sério! Não me digas que uma notícia destas te passa ao lado?
- Não...
- Então, podes vir ter a minha casa?
- Posso. Estou aí em meia hora. - respondi.
- Ok, até já, beijinhos.
- Até já.

- Fogo mano, era a Andreia! - disse eu, ao David.
- 'Tá brincando? 
- Não. Ela quer que eu vá lá a casa para falar comigo.
- Nossa... Isso aí tem coisa...
- Epá, se calhar não vou!
- Vai! 'Cê tem de esclarecer essa história!

Fui então a casa da Andreia, para ver se conseguia esclarecer o assunto.

- Olá! - cumprimentou-me ela ao abrir a porta.
- Olá. O que é que querias falar?
- Ai, Fábio...Não precisas de me falar com essa arrogância.
- Não é arrogância, estou só chateado...
- Passa-se alguma coisa?
- Coisas minhas. - respondi.
- Acredito que a tua namorada esteja chateada depois de ver aquilo...
- Óbvio que está!
- Pois, eu também ficaria.
- Mas ela não tem motivos! Eu nunca a trairia! - disse eu.
- Oh, então porque foste dizer aquilo para as revistas?
- O quê? Eu?! Eu não fui dizer nada, Andreia! Estás louca?
- Então quem foi? Eu é que não fui!
- Não sei, Andreia! Não faço ideia, mas gostava de saber!
- Se calhar foi algum dos teus amigos... 
- Os meus amigos são isso mesmo, amigos. Logo, não iriam fazer-me isso!
- Talvez alguém a quem falaste de mim... E lembraram-se de arranjar invenções...
- Eu nunca falei de ti! Eu tenho namorada, tu fazes parte do passado!
- Não precisas de falar assim! Toda a gente sabe que eu fui o grande amor da tua vida, toda a gente gostava de nos ver juntos, é normal que queiram ver-nos juntos outra vez!
- Não, não é normal! A mulher da minha vida está comigo agora! Eu e tu temos uma história mas isso já acabou, toda a gente sabe.
- Ok, olha, não tenho mais nada a dizer. - disse-me ela.
- Não? Então chamaste-me aqui para quê?
- Esquece Fábio! Em relação à notícia faz o que tu quiseres. És tu quem tem de dar satisfações à tua namorada, não eu.
- Não te estou a perceber, Andreia. Mas pronto, se não foste tu não te preocupes, eu resolvo o assunto. Só não estou a perceber a tua atitude. Tchau.
- Há muitas coisas em mim que nunca percebeste. Xau. - disse-me ela.

Fui para casa. Este dia tinha sido, definitivamente, um dia mau...

Olá meninas!!!

Olá meninas!
Sei que de vez em quando "desapareço" e deixo de escrever no blog, mas a verdade é que já o criei há alguns anos e, com o passar do tempo, vamos tendo outras prioridades. Confesso que por vezes me esqueço que ele existe, mas quando releio o que já escrevi, penso que devia permitir que as minhas leitoras lessem a história que imaginei quando criei o blog. Atualmente algumas coisas podem já não fazer grande sentido, a nível de personagens e outros pormenores, mas foi assim que criei a história, idealizei um desfecho para ela e hei-de tentar que ela continue o seu rumo, mesmo que fique meses sem publicar nada

Porém, gostava de saber se vocês que cá vêm de vez em quando e que fazem com que o contador de visitas nunca pare, gostavam de ver algum tipo de mudanças no blog, se têm alguma sugestão ou ideia para tornar o blog mais apelativo e com outro tipo de conteúdo, ou se acham que deve ser destinado exclusivamente à história.

Obrigada a quem continua a não desistir da fanfic :) 
Beijinhos *

CAPÍTULO 46 - "Pensa bem no quão injusta estás a ser comigo."

No dia seguinte acordei com um sorriso. Não era de estranhar, estava ao lado do Fábio. Ele ainda estava a dormir, por isso deixei-me ficar, esperando que ele acordasse.
Pouco tempo depois, após sentir o Fábio dar algumas voltas na cama, sinto um beijo na testa. Não poderia haver melhor forma de começar o dia.
Ficámos algum tempo deitados e, enquanto isso, o Fábio pegou no telemóvel para publicar uma mensagem de agradecimento a quem lhe tinha dado os parabéns no dia anterior.

- Bem, vamos tomar o pequeno almoço? Tenho de ir tomar um banho, se calhar vou almoçar a casa. Tu vais almoçar onde? - perguntei.
- Não sei, se fores para casa eu se calhar vou aos meus pais, já que ontem estive pouco tempo com eles.
- Sim, então vai almoçar com eles amor.

Levantámo-nos e fomos tomar o pequeno-almoço. De seguida, tomei um banho, despedi-me bem do meu amor e fui para casa.

- Bom dia gordo! - disse ao Hugo, ao entrar.
- Bom dia. Vieste almoçar? Pensei que já te tinhas mudado para a casa do Fábio! - disse ele, a brincar.
- Tão engraçadinhos que estamos! Então e a tua namorada, o que é que vai fazer hoje?
- Não sei, não combinámos nada. Liga-lhe para vir cá. - disse o meu irmão.
- Para isso ligas tu! Sim, porque se ela vier cá é mais para estar contigo e não comigo, és um colas.
- Podes ligar-lhe, eu devo ir sair com uns amigos e deixo-a só para ti, ciumenta.
- Hum, gosto disso! - respondi.

Depois de passar algumas horas na conversa com a Joana, tive de ir estudar para um exame que ia ter na segunda e o estudo durou todo o fim-de-semana, pelo que não pude estar com o Fábio.

Na segunda, depois do exame, o Fábio foi buscar-me para irmos almoçar juntos.

- Tive saudades tuas. - disse-me ele.
- Também eu, mas sabes que tem sido difícil amor.
- Eu sei, eu percebo...

O telemóvel dele tocou.

- Estou? - atendeu. Era o Rúben.
- 'Tou, mano! Tá tudo?
- Sim, mano e contigo? - perguntou o Fábio.
- Também. Olha, a Tânia viu uma cena numa revista, sobre ti e a Andreia, já viste?
- A Andreia? Como assim?
- Epá, é melhor veres. Fala em supostas traições e o caraças. Só te estou a dizer, para o caso da Katyanne saber antes de ti e não ficares à toa.
- Porra, estás a gozar... Se puderes manda-me uma foto, eu depois vejo.
- Tá, mano. Abraço.
- Abraço, fica bem. - Respondeu o Fábio.

Ele desligou a chamada e eu esperei que me dissesse alguma coisa, afinal de contas eu tinha ouvido o nome da Andreia e isso não me agradava.

- Era o Rúben. - disse-me ele.
- Hum.
- Então, já sabes o que vais pedir? - perguntou, referindo-se ao almoço.
- Ligou-te para falar na Andreia? - não consegui evitar e tive de questionar.
- Não amor, porquê a Andreia?
- Porque tu disseste o nome dela!
- Sim, mas não foi nada de mais.
- Nada de mais... Como a mensagem que ela te mandou...
- Amor!!! Foi uma coisa que ele viu na revista, mas não sei o que é...
- Quero ver isso. - disse eu
- Agora vamos almoçar.
- Sim, mas eu quero ver.

Liguei a internet do telemóvel e pesquisei todas as últimas revistas até encontrar o que queria... Até que encontro o que, afinal, não queria...

"Coentrão trai namorada com a ex?" , era o título da notícia.

- O que é isto?!
- Deixa ver. - pediu ele.
- Já deves saber perfeitamente, não sei porque precisas de ler...
- Eu não faço ideia o que é isto! Isto é uma mentira, mas porque raio é que se lembraram de mim agora? Isto não vai ficar assim...
- Pois, porque haviam de lembrar-se e inventar isso assim do nada? Devem ter tido algum motivo...
- Katyanne, tu não confias em mim?
- Confio até me dares motivos do contrário. - disse eu.
- E eu não dei!!!
- E isto? Fábio, eu sei que a imprensa exagera, mas de exagerar a inventar coisas sem qualquer fundamento vai uma grande distância.
- Bolas, mas acredita em mim! Não aconteceu nada! Nunca mais a vi!

Eu não respondi. Já tinha perdido a vontade de tudo. Acabei de comer sem proferir mais nenhuma palavra.

- Vamos dar uma volta? - perguntou ele, depois de termos acabado de comer.
- Prefiro ir para casa... - respondi.
- Porra Katte, criticaste-me quando te fiz aquela cena de ciúmes e agora fazes pior?!
- Não compares! Não tinhas motivos nenhuns, já eu não posso dizer o mesmo!!!
- Olha, tu é que sabes. Não tenho paciência para discutir isto contigo.
- Pois, só tens paciência para o que não deves...
- Tu és difícil! Não confias em mim e deixas que coisas sem fundamento nenhum abalem a nossa relação! Achas que isto assim é alguma coisa?
- É a segunda vez que pões em causa a nossa relação! Continua assim...
- Não estou a pôr nada em causa, mas tu tens de habituar-te a este tipo de pressão... - disse-me ele.
- Se calhar a Andreia dava-se melhor com o teu tipo de vida do que eu...
- Olha, não vamos alongar esta conversa. Vou deixar-te em casa, antes que isto descambe ainda mais. - disse o Fábio, levantando-se, para sair do restaurante

Sem trocarmos mais palavras, seguimos até à minha casa, onde ele me deixou.

- Pensa bem no quão injusta estás a ser comigo. - disse-me ele.
- Depois falamos. Xau. - saí do carro.

Mais uma vez, sentia a nossa relação tremida. Por mais que quisesse confiar nele, a notícia não me ficava indiferente, ainda por mais depois de ter visto a mensagem que ela lhe enviou...



sábado, 19 de julho de 2014

Novidades no blog

Olá meninas!
Já viram este novo design do blog? O que acham? Já estava a precisar de uma remodelação! Eu adoro os tons, espero que vocês também gostem!
Certamente ainda não repararam, mas o blog tem outra novidade! Agora, na barra lateral, podem encontrar a minha seleção de blogs. Para estrear esta novidade, optei pelos blogs das minhas 2 seguidoras mais assíduas desde que retomei a escrita da fanfic, como forma de lhes agradecer o apoio!
E tu, queres ter mais visitas no teu blog? Então que tal veres o teu blog divulgado neste novo cantinho?
Basta deixares o teu pedido por comentário neste post :)
Beijinhos a todas!

CAPÍTULO 45 - "É impressão minha ou estás com ciúmes?"

- Passas a noite comigo? - perguntou-me.
- Não sei se mereces...
- Hoje sou bebé, acho que mereço.
- É, um bebé que às vezes se porta muito mal!
- Ainda não me respondeste...
- Sim, eu fico!

Já tarde, os convidados começaram a ir-se embora. No final, ficou o Rúben, a Tânia, o Rodrigo, a Carol, o David e o Márcio.

- Vá, vamos ajudar a arrumar isto para irmos andando, que eles devem querer ir-se deitar. - disse a Tânia.
- Nem penses! Eu e o Fábio arrumamos isto num instante. - respondi.
- Querem ir deitar-se, querem... Devem estar muito cansados! - disse o Rúben, a rir.
- És sempre o mesmo! - disse a Tânia, dando-lhe um calduço na cabeça.
- Então, tu é que disseste que eles se queriam ir deitar, eu só confirmei!
- Vá, levanta o rabinho daí e anda ajudar. - disse ela ao namorado.
- Não é preciso, a sério. - disse eu.
- Entre todos não custa nada. - disse prontamente, a Carol.

Eu e elas arrumámos a mesa e a cozinha, com a ajuda do David. Os outros rapazes estavam todos à conversa.

- É, vamos todos ajudar mas aqui o escravo é que tá dando mão pras meninas! - disse o David, provocando os amigos.
- Oh mano, deixa isso! - disse o Fábio.
- É, agora já tá né... - respondeu-lhe o brasileiro.
- Então vá, Rúben, vamos que já é tarde. - disse a Tânia.
- Sim, vamos todos. - disse o Rodrigo.

Despedimo-nos de todos e ficámos só nós dois, no silêncio da casa que durante toda a festa não tinha existido.

- Amor, vou só tomar um banho e já volto. - disse o Fábio, enquanto eu me sentava no sofá.

Enquanto ele estava no banho, o telemóvel dele dá sinal de mensagem. A curiosidade falou mais alto e peguei no telemóvel para ver quem era. Nada de mais, era apenas um amigo.
Depois de ver a mensagem, apercebi-me que na caixa de entrada estava o nome "Andreia". Sim, a ex-namorada do Fábio... Foi inevitável e tive de abrir.

De: Andreia
"Parabéns baby <3"

Só podia estar a ver mal! Porque raio havia ele de ter uma mensagem da ex-namorada a chamar-lhe "baby" e com um coração? E ainda por cima, porque raio ele ainda lhe responde com um "Obrigado, beijinho" ???
Alguma coisa me andava a escapar aqui, certamente.

Voltei a pôr o telemóvel onde estava e fixei os olhos na televisão, até o Fábio chegar.
Pouco tempo depois oiço uma porta a fechar e passos em direção à sala. Nem sequer desviei o olhar da tv.

- Amor, não queres vir para o quarto? - dizia ele, num tom carinhoso, enquanto entrava pela sala, apenas em boxers e com o corpo brilhante e com cheiro a creme.
- Não. - respondi.
- Então? Que se passa? - perguntou ele, percebendo que algo se passava, pela minha expressão. Ele, realmente, conhecia-me bem demais.
- Nada.

Insatisfeito com a resposta, senta-se no sofá ao meu lado e agarra o meu rosto, para me dar um beijo, ao qual não correspondo.

- O que é que tens? - perguntou.
- Já disse que nada. - respondi e fez-se silêncio. - Recebeste uma mensagem.

O Fábio afasta-se de mim para alcançar o telemóvel que estava na mesinha em frente ao sofá. Lê a mensagem, responde e pousa o telemóvel na mesa. Depois disso, fica a olhar para mim e percebe que continuo distante.

- Viste a mensagem, foi? - perguntou-me.
- Qual mensagem? - respondi, fazendo-me desentendida.
- Que recebi à bocado. - ele sabia perfeitamente que não me precisava dizer mais, porque eu já sabia muito bem de que mensagem ele estava a falar.
- A do "Parabéns baby" com um coraçãozinho? Vi! Que fofo. - disse eu, com o meu tom irónico, tentando disfarçar o ciúme.
- Oh amor eu ia dizer-te que ela tinha mandado mensagem, mas no meio de tantas achas que eu reparei na da Andreia?
- Reparaste. Tanto reparaste que respondeste e até fizeste questão de lhe mandar um beijinho.
- É impressão minha ou estás com ciúmes? - perguntou ele, sorrindo.
- Ciúmes, Fábio? É a tua ex-namorada, não sei, mas o que achas de eu ir mandar coraçõezinhos ao meu ex-namorado?
- Ei, mas eu não mandei nada! Não tenho a culpa que ela me tenha dito aquilo. 
- Para ela te chamar baby é porque lhe deste confiança para isso.
- Katyanne, eu juro-te que nunca mais falei com ela. Não sei porque é que ela mandou aquilo, mas tu viste que eu lhe respondi como respondi a qualquer outra pessoa.
- Pois...A mim nem respondeste. - disse eu, relembrando, num tom frio.
- A sério, vamos voltar ao mesmo. Epa, tu não gostas mesmo de estar bem.
- Não é voltar ao mesmo, mas se formos por aí, pensa lá porque é que te chateaste comigo? Pois, então não venhas falar de ciúmes. Põe-te no meu lugar.
- Tens razão amor, devia ter-te dito que ela me mandou mensagem, mas estivemos chateados, achas que ia querer piorar as coisas? Não tive tempo para te dizer. - disse ele.

Bem, na verdade ele até tinha alguma razão, mas os ciúmes falam sempre mais alto... Fiz um ar pensativo, pois também não queria dar o braço a torcer.

- Eu só tenho olhos para ti! - disse ele, ajoelhando-se.
- Pronto, pronto, mas levanta-te! - disse eu, a rir-me.
- Não me digas que não é uma maravilha, teres-me em boxers ajoelhado para ti!
- Hum... 

Agarrei-o com força e dei-lhe um beijo de tirar o fôlego. Em dois segundos, as minhas mãos já percorriam o corpo dele, praticamente despido, e as mãos dele percorriam o meu, ainda com roupa, que não tardava muito em estar espalhada pelo chão da casa.
Depois de um dia no qual tínhamos estado chateados, um dia que por sinal era o aniversário do Fábio, tínhamos de compensar, e não ia ser por uma mensagem estúpida de uma pessoa ainda mais estúpida que íamos voltar a zangar-nos. Ambos tínhamos a mesma vontade, a de estar a sós entre quatro paredes, a de nos entregarmos um ao outro e esquecer o mundo à nossa volta... O mundo... e o tempo... Porque os ponteiros do relógio não paravam, mas os nossos corpos também pareciam não se cansar. Estávamos ali, sem querer saber de mais nada. A noite era nossa. Ele era meu. Eu era dele.

terça-feira, 15 de julho de 2014

CAPÍTULO 44 - Festa surpresa para o Fábio

"Ridícula tem sido esta relação"... Esta frase soou como uma facada no meu coração. Sem querer, sem ter tempo sequer para pensar, senti um arrepio, um aperto, e uma lágrima caiu-me pelo rosto.
O Fábio nunca me tinha dito nada assim. Senti que a nossa relação estava a desmoronar-se, sem sentido algum, sem um motivo coerente. É verdade que ultimamente não tínhamos muito tempo para estar juntos, mas ambos sabíamos que teria de ser assim. Ele não podia esperar outra coisa. Ele tinha as responsabilidades dele e eu as minhas. Talvez o problema aqui tenham sido os ciúmes, a insegurança desnecessária que ele sentia. Eu sabia que ele era inseguro e eu fazia de tudo para ultrapassar isso, mas desta vez magoou, magoou muito.

Algum tempo depois, o telemóvel tocou. Era o David.

- Oi, gata. É pra falar que tá tudo tratado, o Fábio amanhã vai passar a tarde comigo. Tem a costa livre pra você.
- Eu não sei se vou fazer alguma coisa. - respondi, após um suspiro.
- Como não?
- Eu e ele não estamos bem. Aliás, bem ou mal, eu já nem sei se estamos...
- Ei ei, me fala o que aconteceu!
- Ele queria estar comigo amanhã à tarde. Então eu tive de arranjar uma desculpa.
- O que é que você falou?
- Que tinha de acabar um trabalho com um colega. E ele disparou logo contra mim que raio de trabalho seria esse e pôs-se a insinuar que eu andava a enganá-lo.
- Nossa, o mano é ciumento mesmo poh. Mas vocês brigaram feio? - perguntou-me o David.
- Ele disse que tem sido posto em segundo plano e que a nossa relação era ridícula... Isso responde-te? - respondi num tom triste.
- Tá brincando... Olha, vamos fazer o seguinte, você vai pôr sorrisão na cara e vai fazer tudo o que a gente combinou. Eu vou ficar com ele e você vai preparar tudinho. O Rúben e a Tânia vão com você para ajudar. O resto do pessoal vai chegar às 19, aí a gente chega um pouquinho antes das 20. Vai ser difícil enrolar ele por tanto tempo, por isso trata de compensar e fazer um bom trabalho.
- David, eu perdi a vontade...
- Neguinha, é o aniversário do seu namorado. Vocês se amam, quando ele perceber se vai ajoelhar para você pedindo perdão.
- O problema é que as desculpas não mudam o que já foi dito, e eu estou sentida com ele.
- Nem tem volta a dar, cê vai fazer isso. Ou por ele ou por mim, agora se safa.
- Só tu... És mesmo teimoso! Mas está bem, está combinado então.
- Eu sabia! Agora trata de jogar essa energia negativa para trás das costas, que amanhã vocês se vão resolver.
- Obrigada David.
- Não tem de quê. Então vá, qualquer coisa cê me liga, viu?
- Sim. Um beijinho.
- Beijo grande.

O David tinha-me dado um grande incentivo. 
À meia-noite mandei uma mensagem de parabéns para o Fábio. Não tinha forças para ligar-lhe. Ele nem sequer me respondeu. Menos vontade tinha de fazer-lhe a surpresa, mas tinha prometido ao David.

Fui às aulas de manhã, depois fui para casa almoçar e fiquei à espera do Rúben e da Tânia, para irmos todos juntos levar as coisas necessárias para a casa do Fábio. Eles perceberam que eu não estava bem e então contei-lhes o que se tinha passado.
Ao final do dia começaram a chegar os convidados, nomeadamente os pais do Fábio, os meus e o Hugo. Tive de fingir que nada se passava, mas na verdade estava receosa por não saber qual iria ser a reação dele.

De: David
"Katty, tamos indo para casa. Tenta esconder todo o mundo, a gente não demora. Um beijo."

Disse a todos os convidados que o Fábio vinha a caminho. Apagámos as luzes e ficámos em silêncio.
Quando ele entrou, todos gritaram "Supresa!". Todos, menos eu. Estava num canto da sala, sem vontade de esboçar nem um sorriso. Ele sorria radiante, percorrendo o olhar por todos os convidados. Estava surpreendido, mas o seu olhar procurava algo. Sim, quando finalmente me viu, a sua expressão de felicidade mudou. Eu não devia estar ali, não queria estar ali. Os convidados foram-se aproximando dele para lhe dar os parabéns e no meio de conversas e cumprimentos, ele nem foi ter comigo. Sentei-me, ao lado da Tânia.
Quem se aproximou de mim foi o David.

- Tá muito legal! Parabéns.
- O que não "tá legal" é a minha presença aqui. - disse eu, imitando-o, mas com ironia.
- Não fala isso boba. Ele agora tá agradecendo à família e amigos mas cê acha que ele não vem ter com você? Quando ele perguntar quem arrumou tudo isso e disserem que foi você ele se vai sentir um tonto por ter pensado mal de você.
- Pois, mas a atitude não devia depender de ter sido eu a fazer isto ou não, se ele gosta de mim tem de resolver as coisas porque quer e não por agradecimento.
- Nossa, você é chatinha hein? - disse o David, pegando nas minhas mãos, para eu me levantar. Deu-me um abraço e um beijo na testa. - Eu já vou chamar ele pra vir aqui.
- David, não. Se ele vier, eu quero que seja por vontade própria. Não faças isso.
- Tá bom, é como você quiser. Agora olha para mim. - eu olhei. - Me dá um sorriso. - instintivamente esbocei um sorriso e, envergonhada, baixei a cabeça. - Gosto mais de você assim. 
Deu-me outro beijo na testa e foi ter com o Rúben. Eu fiquei exatamente no mesmo sítio, com a Tânia.

- Ele vem aí. - disse a Tânia.

Eu olhei e era o Fábio. Cumprimentou a Tânia, que lhe deu um abraço, os parabéns e de seguida foi ter com o seu Rúben.

- Podemos falar? - perguntou-me o Fábio.
- Estamos a falar.
- Kattyane, não sejas estúpida.
- Eu não acredito. Se era para isso, não, não podemos falar.
- Pára! Não dá para falarmos como pessoas adultas?
- Não, se começares a conversa a chamar-me estúpida.
- Fogo... - e desviou o olhar, demonstrando irritação. - Quero falar contigo, pode ser ou não?
- Sim, diz.
- O David já me disse que estiveste aqui hoje a preparar isto tudo.
- Pois, parece que sim. - respondi friamente.
- Não ias fazer o trabalho...? - disse ele, provocativo.
- Bolas Fábio, tu sim és um estúpido! Será que não vês que isto tudo foi para te fazer uma surpresa? Será que não vês que eu não quis passar a tarde contigo para conseguir fazer-te isto? Se eu tivesse de fazer o trabalho, tinha! Tu não tinhas que fazer aquela fita toda por isso, porque a minha vida não pode girar só à tua volta. Mas não, aqui a otária só arranjou aquela desculpa para poder fazer-te uma surpresa. E o que é que recebo em troca? "Esta relação é que tem sido ridícula"! Pois, se calhar aqui a ridícula sou eu... Esforço-me de mais e não valorizas isso!

Enquanto eu falava ele olhava fixamente. Quando acabei a frase ele agarrou-me e deu-me um forte beijo. Correspondi uns segundos, mas depois afastei-me.

- Não venhas com beijos! O que tu me disseste magoou-me.
- Porra, Kattyane... Desculpa! Desculpa-me... por favor. - e abraçou-me.

Envolveu os braços dele à minha volta e eu mal me mexi. Mas era impossível, eu não aguentava estar assim com ele e, segundos depois, correspondi ao abraço e apertei-o com força contra mim.

- Eu amo-te. - disse-me ele ao ouvido. - Só tenho medo de te perder.
- Quem tem medo de perder não magoa. Tu magoaste-me. Mandei-te os parabéns e tu nem tiveste coragem de me responder. - disse eu enquanto nos "desabraçavamos".
- Eu estava chateado!
- Mas com o quê? Achas que tinhas motivos? Achas? 
- Não... Tu tens razão. Só te peço que me desculpes, por favor amor. - pediu-me.
- Vá... Vamos esquecer. É o teu dia de anos. É verdade, deixei a tua prenda em cima da cama. Fiz isto para aproveitares.
- Então deixa-me aproveitar o tempo que resta mas contigo. - deu-me um leve beijo, deu-me a mão e fomos sentar-nos ao pé dos outros, para jantar.

- Eu não te falei que tudo se ia resolver? - disse o David, ao que lhe respondi com um sorriso.

Finalmente as coisas estavam esclarecidas. Ainda estava magoada com aquela frase que não me saía da cabeça, mas compreendi que o Fábio a tinha dito de cabeça quente. Eu sei que por vezes o ciúme ultrapassa a razão.

No final do jantar, cantámos os parabéns ao Fábio. Ele soprou as velas e no fim, agradeceu a presença de todos.

- Obrigado a todos por estarem aqui, por terem estado presentes neste dia. E obrigado especialmente à minha menina, por ter preparado isto tudo para mim.
- Ei, eu e a Tânia também estivemos aqui com ela! - interrompeu o Rúben, sempre brincalhão.
- Tinha de vir o ciumento. Mas sim, obrigada ao Rúben, à Tânia e a todos os que fizeram com que isto fosse possível, mas como eu estava a dizer, queria agradecer à Katyanne, porque me portei mal com ela e no fundo ela só estava a tentar fazer-me esta surpresa. Fui um idiota mas ela sabe que a amo mais que tudo. 

Todos bateram palmas e ele deu-me um beijo.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

CAPÍTULO 43 - "Ultimamente tenho sido a tua segunda opção."

Olá meninas! Peço desculpa por este capítulo ser tão pequenino, mas conforme fui escrevendo, ele tomou outro "rumo" que eu não tinha planeado. Achei que devia parar exatamente naquela parte para suscitar o interesse pelo próximo e vos deixar curiosas! Espero que gostem :)

A minha segunda-feira começou cedo, com um dia de aulas normal. À tarde, fui dar uma volta com a Joana e a Rita.

- Então e tu Joana, conta coisas. Ainda estás com o Hugo? - disse a Rita.
- Sim. Tivemos uns problemas mas já passou.
- Pois, a Katte contou-me... Foste mázinha...
- É, ela teve umas ideias um bocado tresloucadas. - disse eu.
- Ei, eu estou aqui ok?! - salientou a Joana. - Eu estava numa fase má, em vez de aproveitar o início da nossa relação, deixei-me deslumbrar mais pela vida da Katte. Eu estava a viver a novidade da vida dela e estava a ignorar a minha, quando na verdade esperei anos pelo momento em que me iria envolver com o Hugo. Agora, aprendi a lição.
- Sim, eu percebo. Nunca nenhuma de nós pensou em vir a encontrar jogadores naquela noite, muito menos uma de nós se envolver com um deles. - disse a Rita.
- Sim, mas para mim o Fábio é um rapaz como os outros. E os restantes também, são meus amigos tal como vocês. - respondi.
- Eu é que na altura achei que a Katte não iria conciliar os dois mundos e que me ia pôr de parte e não reagi bem. - disse a Ju.
- És uma idiota. Sabes que nunca te faria isso! E tu, menina Rita, a ver se dedicas mais algum tempinho aqui às tuas amigas. Tens andado desaparecida em combate!
- Desculpem, meninas, eu sei... Tem sido complicado, mas prometo que vos vou dar mais atenção!

Entretanto o meu telemóvel toca. Era o Fábio.

- Olá baby! - atendi.
- Olá amor. Está tudo bem?
- Sim, está tudo. E tu, estás bem?
- Sim. Tenho uma boa notícia... Amanhã tenho a tarde livre, vamos estar juntos?
- Oh amor, desculpa, não posso... - disse eu - Combinei com um colega da faculdade para ficarmos a fazer um trabalho e ele só pode mesmo amanhã.
- E vais demorar a tarde toda?
- Sim, desculpa, a sério... Podemos estar juntos um bocadinho à noite.
- Deixa estar. - disse ele, fazendo um compasso de silêncio - Vá, beijinhos.
- Estás chateado?
- Não, se não dá, não dá. Fica para depois.
- Desculpa amor. Beijinhos.
- Beijinho.

Reparei que o Fábio tinha ficado triste, mas eu tinha mesmo que fazer o trabalho.
Continuei a conversar com elas, fomos a algumas lojas e depois fomos para casa.

O Fábio fazia anos na sexta. Eu já tinha imensas ideias para a festa surpresa e o David ia ajudar-me.
Na sexta-feira de manhã o Fábio tinha treino, à tarde o David ia convencê-lo a ir ao ginásio para que eu pudesse ir a casa dele preparar tudo.
No dia anterior ao aniversário, o Fábio tinha insistido para eu passar a tarde com ele, mas eu tive de arranjar uma desculpa.

- Amor, ainda não consegui acabar o trabalho com o meu colega. Desculpa. Eu sei que é o teu aniversário, mas eu prometo que à noite estamos juntos. - disse eu, para que ele não percebesse o que eu andava a tramar.
- E o que é que estiveste a fazer na terça? Esse trabalho deve ser muito longo, ou se calhar tu e o teu colega estiveram a fazer outras coisas em vez de trabalhar.
- Fábio, mas tu estás parvo? São responsabilidades, sabes o que isso é? Eu nem acredito que estás a insinuar isso! - respondi-lhe, furiosa.
- É verdade! São os meus anos, só queria estar com a minha namorada, é normal não? Já não ando a gostar dessas confianças com esse teu colega. É o "meu colega" para aqui, o "meu colega" para ali...
- Estás a ser mesmo infantil... Nem mereces o meu esforço. - disse eu, num desabafo, pensando que toda aquela discussão se devia ao simples facto de eu querer fazer uma surpresa ao meu namorado ciumento.
- Pois, eu já vi que não mereço nada. Ultimamente tenho sido a tua segunda opção. 
- Estás a ser ridículo Fábio.
- Ridícula tem sido esta relação. 

E dito isto, desligou-me a chamada.